“Porque quem não sabe arte, não na estima”, pelos alunos do 1.º C – 30 de maio de 2023

No dia 30 de maio, os alunos da turma 1.º C, do Curso Profissional Técnico de Gestão Equina, apresentaram aos seus convidados a atualidade das reflexões de Camões n“Os Lusíadas”, onde o poeta critica o desprezo dos portugueses pelas artes, pela literatura, pela poesia, pois, segundo ele, "quem não sabe arte, não na estima”.

Conforme trabalhado pelos alunos no módulo 3, da disciplina de Português, com a Professora Eugénia Gonçalves, nas reflexões do final do Canto V d`“Os Lusíadas”, Camões conclui, com desilusão e vergonha, que, na antiguidade, os grandes capitães romanos, gregos ou bárbaros, mesmo sendo homens de armas e guerreiros épicos, nunca deixaram de ler, de escrever e de apreciar os grandes escritores. Além disso, eram também instruídos, dados às letras (doutos) e sabedores (cientes). Somente os portugueses eram exceção, o que os tornava “duros” e “robustos” (rudes e incultos), sendo que nem se sentiam constrangidos com a sua ignorância.

Para sustentar a atualidade das críticas camonianas, os alunos basearam-se em dados e resultados de recentes estudos portugueses e fizeram entrevistas a alunos, professores, assistentes operacionais, assistentes técnicos e encarregados de educação.

Relativamente à temática “A Educação em Portugal”, pelos dados recolhidos na PORDATA – Estatísticas sobre Portugal e a Europa, os alunos constataram que, desde a crise económica, os valores de investimento da educação em Portugal têm vindo a diminuir drasticamente. Citaram António Guterres que, em 2022, advogou que “O financiamento da Educação deve ser uma das prioridades para os Governos. É o investimento mais importante que qualquer país pode fazer no seu povo e no seu futuro". Os alunos defenderam, assim, que qualquer pessoa, independentemente da sua profissão ou cargos que exerça, deve dar sempre valor ao estudo, à cultura e ao conhecimento.

No que toca ao estudo “Práticas culturais dos portugueses, relacionadas com a leitura”, conduzido pela Fundação Gulbenkian e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, os alunos salientaram que, em 2021, a percentagem dos inquiridos que não leu um único livro impresso foi de 61%. Acresce que a maioria dos inquiridos “não beneficiou do estímulo à leitura gerado em contexto familiar”. Foi muito elevada a percentagem dos que, na infância e na adolescência, nunca foram levados a uma livraria (71%), a uma biblioteca (77%) ou a uma feira do livro (75%). Foi também alto o número dos inquiridos que nunca receberam um livro (47%) e a quem ninguém leu uma história em criança (54%). Perante os dados apresentados, os alunos concluíram que é urgente investir na aproximação dos portugueses aos livros. Aludiram a Rui Couceiro que alertou que “um país que não lê não pode aspirar a muita coisa, investir no livro e na leitura é um dos caminhos para o Portugal que temos de ambicionar ser.”

Através do estudo “Práticas culturais dos Portugueses”, os alunos constataram que, tal como Camões criticava já no século XVI, os portugueses têm poucos hábitos culturais. Contudo, os alunos puderam verificar que as grandes desigualdades nas práticas e nos hábitos culturais dos portugueses estão estreitamente relacionadas com os recursos socioeconómicos e com o nível de instrução das pessoas. Por isso, para os alunos, as políticas públicas devem encorajar o consumo cultural e democratizá-lo, isto é, torná-lo acessível a todos.

Os alunos do 1.º C provaram, deste modo, que, muito ao contrário do que se possa pensar, Camões permanece atual e, como ele, apelaram à necessidade de os portugueses estimarem o conhecimento, a cultura, a literatura, a poesia.

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